minhas Antologias Fotográficas

Androgyny

“Não foi por acidente,

Não foi por não gostar de brinquedos que retalhou suas bonecas,

Não foi por não ter gostado, que lavou a boca com sabão no primeiro beijo,

Ela não queria ser uma menina, ela não queria ser um menino;

– Queria, apenas, ser ela mesma.”


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Segundo Platão, havia, na origem da Humanidade, três seres: Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros entidade masculina composta de oito membros e duas cabeças, ambas masculinas, Gynos entidade feminina, mas com características semelhantes, e Androgynos composto por metade masculina, metade feminina. Porque eram muito poderosos, os deuses resolveram separá-los: seccionado Andros, originaram-se dois homens, que, apesar de terem seus corpos agora separados, tinham suas almas ligadas, por isso ainda eram atraídos um por o outro. O mesmo ocorre com os outros dois. Andros deu origem aos homens homossexuais, Gynos, às lésbicas e Androgynos, aos heterossexuais. Segundo Aristófanes, seriam então divididos aos terços os heterossexuais e homossexuais. De acordo, portanto, com o mito platônico, a corriqueira expressão “buscar a outra metade da laranja” aplica-se tanto aos homens duplos, quanto às mulheres duplas e ao homem e à mulher, originariamente unificados: as mulheres que provêem da separação das mulheres primitivas inclinam-se para outras mulheres, ao passo que os homens, originários de outros homens, anseiam pela sua outra metade masculina. Se os homens, por exemplo, que se originam de outros homens, casam-se e constituem família, não é porque a natureza assim os direciona, mas porque são obrigados pela lei. Nossa sociedade, fortemente heterossexista, usa, muitas vezes, o mito do andrógino para dar validade às relações heterossexuais, condenando, com firmeza e, até, agressão, toda relação homossexual, quando, na verdade, o próprio Platão exaltava e praticava a homossexualidade. A pergunta não respondida por Platão: que categoria, ou origem, inserem-se os bissexuais? Serão eles a síntese revoltosa dos “andros”, “gynos” e “androgynos”?

A androginia sempre me chamou a atenção, e quando fui apresentado à Nadine por Carlos Paiva da Megamodel Rs, não tive dúvidas de que queria criar algum ensaio relacionado ao tema com ela inspirado em uma foto de Agyness Dhein que a Renata me enviou.

-Stay beautiful

Du

Fotografia: Du R. Maciel

Produção: Du R. Maciel e Renata Debus

Beauty: Andre Guerrero (Thippos)

Casting: Carlos Paiva – MegaModelRS

Modelo: Nadine Luckei

Figurino: Beta Abrantes (Nossa Senhora do Figurino), Muy Guappa (vestido)

Agradecimento especial: Muy Guappa, pelo vestido, ao Andre que foi um grande parceiro nesse trabalho.

Amálgama Dor: Essai Deux

Dor!

.infelicidade
.sofrimento
.angústia
.tristeza
.raiva
.ódio
.

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Dor e sofrimento fazem parte da natureza humana. Através destas emoções que reagimos. Neste processo, mesmo sem perceber, modificamos o que fomos há pouco ou há muito. Com o objetivo consciente ou inconsicente de fugir dos reveses da vida.

Segundo Nietzsche, o sofrimento não tem menos sabedoria do que o prazer. Tal como este, faz parte em elevado grau das forças que conservam a espécie.

Na história da arte, os dois maiores indutores sempre foram o amor e a dor (ou sofrimento). Apesar de não ser condição Si ne qua non para a produção artística, existem inúmeros casos na história demonstrando que o artista, quando atormentado pelo sofrimento, é capaz de produzir obras primas.

A dor também é um estado próximo do prazer, sendo que em alguns casos os limites entre dor e prazer são um intersectĭo (apesar de não ser esta linha que pretendo retratar).

São tantos os tipos e manifestações da dor e sofrimento durante uma única vida humana… alguns mais, outros menos… como medir a dor? como medir a tristeza ou a infelicidade?

A raiva e o ódio também estão intimamente ligados ao sofrimento, por vezes pelo inconformismo por seu próprio estado.

Eu, particularmente, sempre fui fascinado pelo sofrimento. Todos os tipos. Obras de todos os tipos, relacionadas ao sofrimento, sempre despertaram interesse em mim.

Este projeto será uma série de ensaios retratando um mix de dor e sofrimento psicológico ou físico.

Desde o primeiro momento, quando tive esta idéia, me perguntava o quanto é possível interpretar estes sentimentos. Creio que é extremamente difícil, por isto a maioria dos atores recorrem a memórias de experiências reais.

Amálgama Dor – Essai Deux (ensaio dois) contou com a participação do ator Francisco Gick. (vejam o Essai Un com a atriz Thaís Siegle aqui). Obrigado ao Francisco por sair em um domingo pela manhã perambular pela cidade procurando um bom cenário. E desculpe pela demora em publicar o resultado(melhorar isto é uma das minhas metas para 2011).

Aguardem os próximos ensaios, com outros convidados.

-Stay Beautiful
du.r.Maciel

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